Cape Town e a crise da água: como fica o turismo? A água vai acabar?

Nos últimos meses, muito se falou sobre a crise da água em Cape Town. Com poucas chuvas e o uso exacerbado, as represas que abastecem a província do Cabo Ocidental chegaram à níveis alarmantes. Isso fez com que o governo local lançasse mão de um grande plano de racionamento. E então, quase que imediatamente, a notícia começou a circular por todo o mundo e muitas especulações surgiram.

Ainda é seguro viajar para a Cidade do Cabo? De que forma a crise hídrica pode afetar a minha viagem? A água vai acabar enquanto eu estiver por lá? Devo alterar meus planos ou cancelar a viagem? Estas foram apenas algumas das perguntas que me fiz antes do meu embarque, em Maio de 2018. Li, pesquisei e ,assim, decidi manter o plano original. Agora, de volta ao Brasil, sei que muitos viajantes ainda se encontram no mesmo desassossego e, por isso, vim dividir todas as respostas que descobri, na prática, ao longo da minha viagem.

Nas próximas linhas, você entenderá um pouquinho mais sobre a crise da água na Cidade do Cabo. Além de descobrir de que forma ela poderá afetar (ou não) os seus planos turísticos por lá.

UM PANORAMA RÁPIDO SOBRE A CRISE DA ÁGUA EM CAPE TOWN.

A crise hídrica da Cidade do Cabo não é de hoje. Ao longo dos últimos três anos a região vem enfrentando uma forte escassez das chuvas que, somada ao consumo desenfreado, culminou em uma crise sem precedentes. Não aconteceu da noite pro dia. Em 2017, o volume total das barragens chegou a diminutos 27,3%. Mas, até pouco tempo atrás, eu aposto que você não havia ouvido uma única sílaba sobre a situação. Foi apenas no comecinho de 2018, após o governo local tomar medidas mais fortes de contenção, que os principais veículos de comunicação mundiais começaram a cobrir a crise da água com mais afinco. De um dia pro outro, eram hordas de notícias… a maioria delas desenhava um cenário catastrófico. No chamado “Day Zero”, Cape Town poderia se tornar, talvez, a “primeira metrópole sem água do mundo”.

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Os turistas, é óbvio, ficaram assustados. Teve muita gente adiando ou mesmo cancelando seus planos de viagem… Eu mesma me peguei tensa por diversas vezes, até que resolvi pesquisar melhor sobre o assunto a fim de entender o que de fato estava acontecendo.

Enquanto do lado de cá a gente focou na “possível tragédia”, a Cidade do Cabo – seu governo e habitantes – estava verdadeiramente empenhada em virar o jogo. Cada um fazendo a sua parte, economizando ao máximo, com medidas eficazes e controladas. As restrições impediam, por exemplo, que se lavassem carros ou enchessem piscinas. Os jornais não contaram, mas ninguém passou sede. Ninguém saiu no braço para garantir o banho. Em resumo, a população fez, simplesmente, pouco mais do que todos nós deveríamos fazer.

Por fim, os esforços parecem ter surtido resultado. Com o consumo drasticamente reduzido, um inverno mais generoso em chuvas e a criação de alguns projetos beeem bacanas (de dessalinização da água do mar, por exemplo) a situação da água na Cidade do Cabo, atualmente, parece estar próxima a voltar ao “normal”.

O QUE É O DAY ZERO (DIA ZERO)?

O Day Zero (ou Dia Zero) foi a forma que o governo local encontrou de mostrar a realidade da crise e a importância do esforço conjunto. O Day Zero é uma estimativa. Trata-se de uma projeção de data. O dia em que os níveis das barragens que abastecem Cape Town poderiam chegar aos 13,5%. Caso o Day Zero chegasse, o sistema de abastecimento de água da cidade seria reduzido em 75%. Assim, o fornecimento doméstico seria inteiramente interrompido e os moradores precisariam buscar sua água, em volume restrito, em algum dos 200 postos de abastecimento que passariam a funcionar na cidade.

A previsão foi feita levando em consideração diversos fatores. As chuvas, o volume diário de consumo da cidade, o sucesso dos projetos implementados, o volume gasto na agricultura, bem como as doações eram aspectos levados em conta na hora do cálculo. Por isso, o Day Zero variava continuamente.

Para que a população pudesse acompanhar a situação, o governo criou um painel online do Day Zero. Um dashboard que mostra, em tempo real, qual é a previsão do Dia Zero. Além de explanar dados como a média do consumo diário da cidade. Um feedback importante, através do qual os moradores podiam acompanhar se seus esforços estavam ou não surtindo efeito.

No começo do ano, o Dia Zero estava “marcado” para Abril. Aos pouquinhos, a projeção foi ficando cada vez mais otimista. E então, depois de meses de empenho, as notícias são as melhores possíveis. De acordo com a estimativa atual (em Julho de 2018), o Day Zero foi empurrado para depois de 2019. Em outras palavras, caso tudo continue caminhando no mesmo rumo, não há mais risco de interrupção de fornecimento neste ano ou no próximo.

Ainda assim, o painel de acompanhamento do Day Zero segue online. E se você quiser acompanhar o progresso da Cidade do Cabo nesta ação, basta acessar o site: www.capetown.gov.za/dayzerodashboard

Crise da água - Cape Town
Crise da água – Cape Town

QUAIS MEDIDAS O GOVERNO LOCAL TOMOU E ESTÁ TOMANDO PARA CONTROLAR A CRISE DA ÁGUA?

O plano de recuperação era amplo. Diversas foram as medidas implementadas pelo governo, visando resultados a curto e longo prazo.

A primeira atitude foi, claro, promover uma grande campanha de conscientização da população. Estima-se que 70% do consumo de água da Cidade do Cabo seja proveniente do uso doméstico. Ou seja, era preciso reeducar seus moradores. A Cidade do Cabo estabeleceu como objetivo o consumo máximo de 450 milhões de litros de água por dia. Assim, foi estipulado que cada capetoniano poderia consumir o máximo de 50l/dia. O volume pode ser aproximadamente controlado com o auxílio de uma calculadora desenvolvida especialmente pra isso. Você pode ver e até experimentar a aplicação em www.coct.co/thinkwater

Também foi aprovada uma espécie de racionamento forçado. O que significa que, em alguns horários do dia, o abastecimento é irregular. Uma consequência planejada da redução da pressão em toda a rede hídrica da cidade.

Para além disso, o governo também iniciou uma força tarefa com intuito de sanar problemas de vazamento e promover melhorias em toda a rede de distribuição. Mais funcionários foram contratados, mais equipes estão nas ruas e até mesmo aqueles considerados indigentes têm tido seu encanamento reparado gratuitamente.

Projetos de reciclagem de água, coleta de água subterrânea, bem como a criação de usinas de dessalinização da água do mar também fazem parte do plano.

QUAL É A SITUAÇÃO ATUAL DA CRISE DA ÁGUA NA CIDADE DO CABO?

Como já deu pra perceber, as notícias são boas e o prognóstico tem sido, dia após dia, mais positivo. A população está comprometida, as chuvas voltaram a cair… assim, o volume das barragens, que em 2017 chegou a 27,3% já atingiu satisfatórios 56,7% nos últimos dias. O Day Zero está cada vez mais distante e, ao que tudo indica, em breve a situação da água em Cidade do Cabo voltará à total normalidade.

AGORA QUE O DIA ZERO FOI EVITADO, QUANDO O RACIONAMENTO ACABARÁ?

Ainda que o Dia Zero tenha sido empurrado pra longe e que o volume das represas tenha subido consideravelmente, a campanha ainda não acabou. E nem há uma previsão oficial de quando o racionamento chegará ao fim. Ainda assim, espera-se que isso ocorra logo.

Há uma preocupação geral de que, suspendendo o racionamento e as medidas de contenção, a população venha a “afrouxar muito o cinto”. Eu, depois de ter estado lá por algum tempo em meio a crise da água arrisco dizer que a apreensão é desnecessária. Ao meu ver, os últimos meses serviram como lição e quem vive em Cape Town aprendeu que dá pra viver bem sem extrapolar no consumo… coisa que todos nós deveríamos praticar também.

Crise da água - Cape Town
Crise da água – Cape Town

DE QUE FORMA A CRISE DA ÁGUA PODE ATRAPALHAR SEUS PLANOS? É RECOMENDADO CANCELAR OU REMARCAR A VIAGEM?

De forma alguma! Para os viajantes que já assumem uma postura de responsabilidade no uso da água, a crise não chegou a afetar em nada a rotina de viagem. Agora, com os níveis das represas voltando à normalidade, o risco é ainda menor. Os hotéis continuam recebendo turistas como sempre, todas as atrações continuam abertas e os restaurantes seguem funcionando normalmente.


Já montou seu roteiro na Cidade do Cabo? Veja nossas sugestões de atrações imperdíveis em Cape Town no post: O que fazer em Cape Town – Atrações imperdíveis na Cidade do Cabo


O governo local, inclusive, incentiva que as viagens sejam mantidas e que o turismo continue a todo vapor. Segundo pesquisas, os turistas internacionais significam apenas 1% da população da cidade – e isso em período de alta temporada -, ou seja, as visitas não sobrecarregam em nada o abastecimento da região. Por outro lado, o setor é importantíssimo para a economia local, gerando renda e emprego a milhares de pessoas. Em outras palavras, alterar seus planos por conta da crise da água seria desnecessário para você e um problema a mais para a Cidade do Cabo.

Meu conselho – e o pedido de Cape Town – é: mantenha seus planos originais. Visite a Cidade do Cabo, aproveite sem parcimônia seus muitos encantos, mas seja responsável com o uso da água enquanto estiver por lá. As medidas são simples, fáceis de adotar e em nada interferirão no sucesso das suas férias!

QUANDO NA VIAGEM: O QUE VOCÊ DEVE FAZER PARA AJUDAR (OU NÃO ATRAPALHAR!)… 

Você pode e deve manter seus planos de férias em Cape Town. No entanto, mais do que nunca, a cidade conta com a compreensão e responsabilidade de cada um de seus visitantes. Estando por lá, é bacana manter 100% de vigilância quanto ao seu consumo de água e assumir atitudes econômicas. Por isso, abaixo você confere algumas sugestões.

  • Embora a água que sai das torneiras em Cape Town seja própria para consumo (em outras palavras, ela pode ser bebida), em tempos de crise, é recomendável que você opte pela água engarrafada.
  • Procure tomar banhos rápidos. O governo local recomenda banhos de 2 minutos, durante os quais o chuveiro deve permanecer fechado na maior parte do tempo. Em síntese, você abre o chuveiro só pra se molhar, fecha, se ensaboa e abre novamente apenas para retirar o sabão do corpo. A título de curiosidade: um banho de 2 minutos consome 20 litros de água.
  • Seja econômico nas descargas. A maior parte dos hotéis já possui descargas “inteligentes”, nas quais você pode escolher entre um volume maior ou menor de água. Assim, sempre que possível, opte pela segunda opção.
  • Escove os dentes utilizando apenas um copo d’água. É o bastante para enxaguar a boca após a escovação e evita um baita de um desperdício. Para os rapazes, o mesmo na hora de fazer a barba.
  • Seja cuidadoso e evite sujar a roupa de cama e banho. A troca de lençóis e toalhas é uma forte inimiga da economia de água.
  • Mais do que nunca, atenção na hora de arrumar a mala. Procure levar uma quantidade de roupas maior, se possível. Assim, você não precisará recorrer ao serviço de lavanderia do hotel e poderá lavar suas roupas usadas somente quando retornar ao Brasil.
Crise da água - Cape Town
Crise da água – Cape Town

COMO FOI A MINHA EXPERIÊNCIA EM CAPE TOWN EM MEIO A CRISE DA ÁGUA…

Estivemos em Cape Town no comecinho de Maio de 2018. Àquela altura, o Dia Zero ainda rondava próximo. As notícias eram alarmantes e, por diversos momentos, me peguei questionando se deveríamos ou não manter nossos planos originais. Hoje, quando olho pra trás, posso afirmar sem sombra de dúvida que fizemos a escolha certa quando mantivemos a Cidade do Cabo no roteiro.

De fato, encontramos uma cidade que ainda vivia sob a sombra da crise da água. Todos os dias, quando o tempo fechava um pouquinho, dava pra ver (nos olhos e no discurso) daquele povo a expectativa e torcida para que a chuva caísse. Muitas vezes frustrada, é verdade. Quando, numa manhã, a água resolveu cair com gosto, lembro de ver funcionários do hotel com olhos brilhando. Aquilo era como um presente. Uma recompensa da natureza para um povo que vinha, a meses, fazendo a sua parte com o maior afinco.

A verdade é que, na prática, pouco sentimos o efeito da crise da água. Nosso hotel, o Radisson Blu Waterfront, estava empenhado em conscientizar seus hóspedes. Tanto no lobby quando nos quartos, havia diversas comunicações a respeito da gravidade da situação e de tudo o que poderíamos fazer para cooperar. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Banhos rápidos, nenhuma troca de roupa de cama ou banho, e tudo mais o que recomendamos lá em cima. E, quer saber? Inegavelmente, foi muito mais descomplicado do que imaginei que seria. No final de nossa passagem por lá, já era espontâneo, inclusive.

Li em alguns lugares sobre falta de água engarrafada nos supermercados. Eu, particularmente, não presenciei nada disso. Estivemos no mercado algumas vezes e o abastecimento parecia normal. Nenhuma sinalização sequer sobre quantidade máxima de garrafas por cliente – embora eu saiba que a medida foi necessária no auge da crise. Nos restaurantes também, tudo normal. Nas atrações, então, nada remetia à crise.

E, se no dia a dia, nossa passagem por Cape Town foi igual a todas as outras viagens que já havíamos feito, o mesmo não aconteceu sob a perspectiva mais filosófica da coisa. Turistamos como sempre, mas aprendemos como nunca. Estar na Cidade do Cabo em meio à crise hídrica por certo foi uma lição valiosa e uma inspiração que trago pra vida. Em outras palavras, ver a expectativa nos olhos de seus moradores, presenciar a forma como a cidade esteve unida e, por fim, me alegrar com a chuva como ouro caindo dos céus foi uma experiência sem igual.

Crise da água - Cape Town
Crise da água – Cape Town

 

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