Walking Tour em Amsterdam: um roteiro a pé pelo centro histórico (com mapa).

Com suas ruas estreitas, pontes e canais encantadores, Amsterdam é, definitivamente, uma cidade capaz de agradar seus visitantes. Ninguém refuta: há bastante o que ver e fazer por lá. Mas, se você tem pouco tempo no roteiro e quer um panorama geral da cidade, um dia de caminhada pelo centro histórico pode ser a forma ideal de “sentir” Amsterdam e conhecer um bocado de sua história. Neste post, você encontra minha sugestão de roteiro para um walking tour em Amsterdam – um passeio a pé pelo centro histórico da cidade – que você pode fazer por sua conta, no seu ritmo, sem guias – mas com muita informação!

Vem caminhar por Amsterdam comigo e descobrir detalhes sobre alguns dos mais importantes pontos turísticos (e nem tão turísticos assim) da cidade.


O QUE VOCÊ VAI VER NESTE POST:

  1. AMSTERDAM: Uma cidade para percorrer a pé!
  2. Walking tour em Amsterdam: roteiro a pé pelo centro – Explicações rápidas.
  3. MAPA: Walking tour em Amsterdam
  4. ROTEIRO DETALHADO: Walking tour em Amsterdam
    1. Central Station – Nieuwendijk – Praça Dam
    2. Kalverstraat – Amsterdam Museum – Begijnhof
    3. Bloemenmarkt – Rembrandtplein
    4. Bushuis – Nieuwmarkt – Chinatown
    5. Oude Kerk – Red Light District – Beursplein

AMSTERDAM: UMA CIDADE PARA PERCORRER A PÉ!

“Marina, e dá pra fazer tudo a pé em Amsterdam?”. Super dá!

Veja bem, Amsterdam é uma cidade grande. São 219 km² de área total – uma área similar a de João Pessoa e duas vezes maior que a de Paris, na França. No entanto, há uma região de interesse turístico bem delimitada. Basicamente, é no centro de Amsterdam (Amsterdam-Centrum) que tudo acontece, em se tratando de turismo. E essa área, sim, é bastante pequena, com apenas 8 km². Então, para os turistas, Amsterdam é uma cidade facilmente percorrível a pé. E digo mais: essa é a melhor maneira de conhecer a cidade, na minha opinião.

“Mas e as bicicletas?”, você pode estar se perguntando. As bikes também são um meio de locomoção queridinho em Amsterdam e é fácil (e relativamente barato) alugá-las. Acontece que o trânsito de bicicletas por lá é bastante frenético e às vezes até um pouquinho estressante. Assim, pra conseguir focar inteiramente na cidade, o walking tour, ou seja, um roteiro a pé, ainda é a melhor opção.

Vai se hospedar fora do centro? Quer conhecer cidades e regiões nos arredores de Amsterdam? Neste caso, o transporte público é um excelente aliado. Metro, bondes elétricos e/ou trens (para viagens mais longas) funcionam bem e são bastante organizados.

“Carro de jeito nenhum?”. Bom, eu não recomendo e nem considero necessário, uma vez que o transporte público tem excelente qualidade e custa mais barato. No entanto, se você ainda quiser alugar um carro para algum passeio específico, prefira alugar pela manhã e devolvê-lo ao final do dia. Nada de períodos prolongados. Lembre-se as ruas estreitas dificultam a circulação pelo centro, que as vagas de estacionamento são limitadas e que a maior parte dos hotéis não irá oferecer esta facilidade.

Dito tudo isso, a gente concorda que um walking tour por Amsterdam é sempre a melhor opção para a viagem, certo? Então vamos ao que interessa. Nas linhas abaixo eu te convido para um roteiro a pé bem completinho pelo centro da cidade – com um mapa minucioso e explicações detalhadas sobre os pontos de interesse que você terá pelo caminho. Bora lá?

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WALKING TOUR EM AMSTERDAM: ROTEIRO A PÉ PELO CENTRO HISTÓRICO – EXPLICAÇÕES RÁPIDAS.

Antes de seguir, algumas explicações rápidas:

  • O roteiro sugerido aqui é circular. Isso significa que ele começa e termina no mesmo ponto, no caso, a Estação Central (Centraal Station). Mas é apenas uma sugestão. Para otimizar seu tempo, o ideal é que você comece e termine no ponto mais próximo a sua hospedagem.
  • Dúvidas sobre a melhor região para se hospedar? Recomendo a leitura do post “Onde ficar em Amsterdam”, com dicas importantes sobre a hospedagem na cidade e sugestões de bons hotéis – para todos os níveis de orçamento.

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  • Embora este seja um roteiro bastante recheado (você verá MUITOS dentre os principais pontos de interesse de Amsterdam), para algumas pessoas, ele pode ser considerado também um roteiro superficial. Não há visitas planejadas a museus ou monumentos neste tour. A ideia é que você tenha um panorama geral da cidade, como teria caso fizesse um city tour – só que, neste caso, usando seus próprios pés como meio de locomoção. Combinado?
Amsterdam: roteiro a pé pelo centro histórico – © Imagina na Viagem / Marina Heimer
  • Caso tenha mais tempo disponível na cidade e queira aprofundar a sua visita, é possível dividir este mesmo percurso em 2 ou 3 dias e, ainda, acrescentar outros pontos de interesse que ficaram de fora. Se este for o seu caso, recomendo o post “O que fazer em Amsterdam – roteiros para 3, 5 ou 7 dias”.

[DICA ESPERTA] Se você curte walking tours, pode se interessar também pelo conteúdo de outras blogueiras que abordaram este tema – associado à diversas outras partes do mundo. Quer algumas dicas interessantes? A Lilian, do blog Uma Senhora Viagem, criou uma sugestão de roteiro a pé por Lisboa, com dicas de passeios e comidinhas pelo caminho. Já a Adelaide, do blog Turista Imperfeito, se debruçou sobre o Circuito da Poesia em Recife, para uma caminhada cheia de cultura. Enquanto isso, a Regina, do blog Turista FullTime, bolou uma sugestão de roteiro de 1 dia em Toledo, na Espanha, onde também é possível aproveitar o centro histórico numa caminhada! E se você ainda tem dúvidas sobre as vantagens dos roteiros a pé, a Olívia, do blog Olívia Garimpando Por Aí, escreveu um artigo todo dedicado ao assunto, onde, em lembrança ao Dia Mundial Sem Carro (celebrado em 22 de setembro), incentiva os roteiros a pé ao redor do mundo. Todos superbacanas!

MAPA – WALKING TOUR EM AMSTERDAM

ROTEIRO DETALHADO – WALKING TOUR EM AMSTERDAM

Tudo pronto? Câmera fotográfica (pode ser do celular) e tênis no pé são fundamentais a partir de agora. Como você já viu, o que não vão faltar são monumentos, prédios históricos e locais curiosos pelo caminho desse nosso walking tour em Amsterdam. No total, nosso roteiro a pé pelo centro histórico tem pouco mais de 5 quilômetros. E, é verdade, não parece tanto…, mas reserve um dia inteirinho (e comece cedo) para esta caminhada.

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CENTRAL STATION – NIEUWENDIJK – PRAÇA DAM

Nosso roteiro começa na Centraal Station, a Estação Central de Amsterdam. Construída no final do século XIX e aberta ao público em 1889, a Centraal Station é, de certo, um dos edifícios mais emblemáticos – e, na minha opinião, lindos! – de toda Amsterdam. Você vai ver que o movimento é grande (quase 200 mil pessoas passam por ali, todos os dias), mas vale tirar uns minutinhos no meio do burburinho para admirar a fachada, com seus detalhes góticos e renascentistas. Você vai ver que o estilo, bastante característico, se repete em alguns outros prédios no decorrer de nosso roteiro a pé.

Centraal Station – Amsterdam: roteiro a pé pelo centro histórico – © Imagina na Viagem / Marina Heimer

Cruzando a ponte bem em frente a Centraal Station, você vai entrar na Hasselaerssteeg para chegar à Nieuwendijk. Essa é uma das mais importantes e mais antigas ruas comerciais do centro de Amsterdam. É uma rua de pedestres, recheada de lojas (são cerca de 200). Você vai ver de um tudo por ali, de lojinhas de souvenir, a grandes redes como H&M e Primark, e marcas locais, como a Hunkemoller (os pijamas são a minha paixão). Isso sem esquecer de falar das chamadas “smartshops” – lojas especializadas em substâncias psicoativas e seus acessórios. Rs.

[DICA ESPERTA] QUEIJOS EM AMSTERDAM: Se você é fã de queijos, provavelmente separou espaço para levar alguns goudas na mala. Em Amsterdam não faltarão oportunidades para comprá-los. O melhor gouda, na minha opinião, é o da Cheese & More – Henri Willig, mas todas as lojas oferecem provinhas e você pode, ao longo do caminho, fazer uma pequena degustação em cada uma delas. Na Nieuwendijk você já encontrará algumas.

A Nieuwendijk também tem diversas lanchonetes, das mais tradicionais (como McDonalds e Burguer King) até as bem regionais, como a Febo. Uma outra opção pra começar o passeio bem alimentado é o “AH To Go”. Trata-se da versão reduzida do supermercado Albert Heijn, uma das maiores redes da Holanda. O AH To Go vende sanduíches e comidinhas prontas que podem ser providenciais durante um passeio longo. A gente sempre leva na mochila!

[DICA ESPERTA] FEBO, O MELHOR CROQUETE: Os croquetes Febo são um sucesso em Amsterdam e é fácil entender o porquê. Primeiro: eles são deliciosos (de verdade!). Segundo: é um lanche rápido e barato. E, se isso ainda não é o bastante, há um terceiro motivo: são vendidos em ‘vending machines’ e isso gera uma baita curiosidade, principalmente nos turistas. Coloque uma moedinha na máquina, abra o compartimento de vidro e retire o seu. Assim, simples. Os croquetes são sempre frescos, feitos diariamente, e há opções de frango, carne, os bitterballs (croquetes em formato de bolinha) e até vegetarianos. Eu amo e recomendo!

Depois de alguns metros caminhando, chegamos à Dam. E pode parecer clichê dizer isso, mas a Praça Dam é realmente o coração de Amsterdam. Ali estão alguns dos mais importantes pontos de interesse da cidade, razão pela qual ela está sempre apinhada de turistas. Observando ao redor da praça, você vai encontrar o Koninklijk Paleis (Palácio Real) – fácil de reconhecer por suas tantas janelas e torre circular, a Nieuwe Kerk (Igreja Nova), o Monumento Nacional, a imponente De Bijenkorf, bem como o popular museu de cera Madame Tussauds. Uma passagem pela praça, com uma parada tranquila para observar as construções ao seu redor e os incontáveis artistas de rua que se apresentam por ali é programa obrigatório em qualquer roteiro básico pela cidade. Vejamos com calma esses monumentos importantes que a cercam.

O Koninklijk Paleis (Palácio Real) data do século XVII e é um dos quatro palácios reais da Holanda. Embora não seja mais utilizado como lar principal da família real, ainda recebe cerimônias oficiais como visitas de chefes de estado, celebrações de Ano Novo e algumas premiações. É um monumento aberto à visitação, mas sua agenda oficial atribulada por vezes acaba atrapalhando os planos dos turistas. A visita deve sempre ser agendada com antecedência.

Na sequência vem a Nieuwe Kerk, cujo nome, em português, significa Igreja Nova. Mas não leve tão ao pé da letra… o templo está bem longe de ser novo e sua construção começou por volta do ano de 1408. Atualmente, a igreja recebe cerimônias reais – como o casamento e a coroação do atual rei dos Países Baixos, Willem-Alexander –, mas também está aberta à visitação e é palco para incontáveis exposições temporárias.

Outro edifício que não passa despercebido na Praça Dam é a loja de departamentos De Bijenkorf. E aí você me pergunta: “Marina, que graça tem uma loja de departamentos?” Se você já esteve em Paris, fica fácil entender. A De Bijenkorf está para Amsterdam como a Galeries Lafayette está para a capital francesa. Muito mais do que pelas compras, a loja impressiona por sua arquitetura e beleza – especialmente de sua fachada. Não por menos, o edifício é considerado um “monumento nacional” pelo governo neerlandês.

Por fim, é possível que você também repare numa grande estátua branca, logo em frente a De Bijenkorf. Trata-se do Monumento Nacional – um monumento erguido em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial e em memória dos neerlandeses mortos durante o conflito. Ele foi inaugurado nos anos 50 e tem grande importância para o país. Todo ano, no dia 4 de maio, é celebrado ali o Dia da Memória Nacional, sempre com a presença ilustre da família real dos Países Baixos.

Praça Dam vista, entre na rua entre o Koninklijk Paleis e a Nieuwe Kerk. Logo a frente, você já verá a fachada imponente do shopping Magna Plaza. O edifício data do finalzinho do século dezenove e, originalmente, abrigava a estação central de correios de Amsterdam. Foi transformado em shopping apenas nos anos 90 e, embora tenha tido seu interior totalmente reconstruído, sua fachada foi cuidadosamente preservada.

Agora atravesse a rua e entre na Molsteeg. Siga em frente até chegar em nossa próxima parada: a ponte Torensluis. Construída sobre o Singel – um dos canais mais importantes e que delimitava a cidade durante a Idade Média –, a ponte em arco é a mais velha de toda a cidade. Ela ainda preserva a mesma forma que tinha na época de sua construção, em 1648. A Torensluis é também a ponte mais larga de Amsterdam. Tanto que, nos meses de verão e primavera, é comum ver suas calçadas ocupadas por mesas de bares e restaurantes. Uma delícia! É também um excelente ponto de observação da cidade. Dali, é super agradável observar o movimento dos barcos no canal, bem como a arquitetura peculiar das casas de Amsterdam, com suas janelas, formato triangular e linhas quase sempre tortas. Rs

Dobre a esquerda e siga margeando o Singel até a próxima ponte, novamente dobre a esquerda na Raadhuisstraat. Agora você passará pela lateral do Magna Plaza e acabará em frente a face traseira do Palácio Real, também linda e cheia de janelas. Contorne o Palácio Real para voltarmos à Dam.


KALVERSTRAAT – AMSTERDAM MUSEUM – BEGIJNHOF

De volta a Dam, entre na Kalverstraat. Com um total de 750 metros de extensão, essa é mais uma das ruais comerciais super movimentadas de Amsterdam. A Kalverstraat é uma rua exclusiva de pedestres e conta com cerca de 150 lojas. Uma curiosidade: o aluguel comercial ali tem o metro quadrado mais caro da Holanda e um dos mais caros do mundo. Desigual, Uniqlo, Douglas, Rituals… são apenas algumas das lojas rycas que você verá por ali.

[DICA ESPERTA] COSMÉTICOS EM AMSTERDAM: Eis que você (que adora um tratamento pro rosto e uma make baphônica) descobre que não tem Sephora na Holanda. E agora? Como resolver a lista de compras de cosméticos? Calma. A Douglas e a ICI Paris são especializadas neste tipo de produto e substituem tranquilamente a concorrente mais famosa.

Caminhe agora até o número 92 da Kalverstraat. Você verá um portal pequeno e recuado. Ali está a entrada do Amsterdam Museum, um dos mais prestigiados da cidade. O Amsterdam Museum, como o nome já sugere, é inteiramente dedicado à história da cidade e suas curiosidades. O espaço já abrigou um mosteiro e, quando a religião católica foi proibida nos Países Baixos, foi transformado em orfanato. Mais de 10 mil crianças passaram por ali antes da transformação em museu, no ano de 1975.

A visita ao Amsterdam Museum é paga, mas entrando pelo portal da Kalverstraat, você terá acesso gratuito aos pátios internos. No primeiro pátio, há o café do museu e uma pequena exposição de objetos. Siga em frente e cruze o segundo pátio. O caminho te levará a uma rua estreitinha – a Gedempte Begijnensloot – que termina num portal de tijolos vermelhos. Você logo deve ver uma inscrição acima do portal: “Anno 1574”. Esta é a entrada da nossa próxima parada, o Begijnhof, o jardim (quase secreto) das beguinas.

[MUDANÇA NA ROTA?] O Amsterdam Museum está prestes a passar por uma grande reforma, com previsão de início em 2021 e término em 2025. Durante este período, o museu deverá ser fechado à visitação e sua coleção poderá ser vista em outros museus da cidade. Provavelmente, a este ponto, o caminho interno pelos pátios deverá estar fechado também. Se isso ocorrer, siga o seu walking tour caminhando pela Kalverstraat e dobre à direita na rua Rozenboomsteeg (na esquina da loja LUSH – maravilhosa para comprar sabonetes e cosméticos super cheirosos #ficaadica). Esta rua estreitinha vai te levar até a praça Spui, onde você verá uma sequência de casinhas brancas enfileiradas, com uma única casa de tijolos vermelhos no meio. É através dessa casa, com um portão em arco e a inscrição Begijnhof acima, que você acessará o jardim.

Agora pense num cantinho especial e bem escondido. Pra você ter uma ideia, eu só fui descobrir o Begijnhof em minha quinta passagem por Amsterdam… e nem sei dizer quantas vezes passei bem ali do lado sem nem imaginar que aquela portinha escondia um lugar tão especial. Num momento você está numa das regiões mais movimentadas e agitadas da cidade e basta cruzar uma porta para encontrar um jardim silencioso onde o tempo parece correr em outro compasso. O Begijnhof é, na verdade, um pátio interno, que serve a um conjunto de residências e existe desde o século 14. Originalmente, as casas ali serviam às beguinas – um grupo de mulheres católicas que dedicavam suas vidas à caridade. Ao redor do pátio, além das casas (em sua maioria renovadas nos séculos 17 e 18), você também verá uma capela e uma igreja, além de painéis que contam sobre o “milagre de Amsterdam”. No número 34, você encontrará ainda uma das casas mais antigas da cidade, da época que as casas eram todas em madeira, a Houten Huis. A entrada no Begijnhof é gratuita e a visita pode ser feita a qualquer dia da semana, sempre das 9h às 17h.

Saia do Begijnhof pela praça Spui (a saída pela Spui fica bem do ladinho da Houten Huis), vire à direita e siga até o final da praça, entrando na Heisteeg. Fica nessa rua estreitinha a Van Stapele, loja conhecida por ter os melhores cookies de Amsterdam (na minha opinião, de toda a vida, do universo). Há apenas um tipo de cookie ali, com massa de chocolate amargo crocante e recheio de chocolate branco cremoso. É de comer rezando! É possível que você encontre uma pequena fila na porta da Van Stapele, porque a loja é pequena e MUITO procurada – são mais de 3 mil cookies vendidos todos os dias! Mas costuma ser rápido e vale a pena esperar. Os biscoitos são assados ao longo do dia inteiro e a cada 10 minutos sai uma nova fornada, o que significa que você sempre vai encontrar um cookie quentinho quando chegar lá.

Continue caminhando pela Heisteeg, até chegar no canal Singel. A ponte Wijde Heisteeg, apesar de ter tamanho menor que a Torensluis, também é ótima para uma parada. Dali você vai ter mais um panorama do canal, com inúmeras casinhas que são a cara de Amsterdam e também as torres da De Krijtberg, a igreja católica dedicada a São Francisco Xavier, à beira do canal. Siga caminhando pela margem do Singel em direção à igreja, passe por ela e siga até a Koningsplein. É exatamente ali que começa o Bloemenmarkt, nossa próxima parada.


BLOEMENMARKT – REMBRANDTPLEIN

O Bloemenmarkt é o único mercado flutuante de flores do mundo. Ele foi fundado em 1862 e atualmente conta com 15 lojas que flutuam sobre o canal Singel. É bastante curioso e um dos pontos que mais gera interesse nos turistas que visitam a cidade. Sabendo disso, há muito os lojistas se adaptaram ao movimento turístico e, hoje, o Bloemenmarkt vende muito mais do que apenas flores. Prepare-se para encontrar todo tipo de souvenir e miudezas de recordação – de chaveiros a ímãs de geladeira. Ah, e os envelopinhos com bulbos de tulipas são também SUPER populares por ali. Muita gente compra e traz na mala, na tentativa de plantar um pedacinho de Amsterdam no jardim de casa. Mas, atenção: trazer bulbos de flores (sem autorização) para o Brasil é um risco. Este tipo de produto é proibido e, se for flagrado em sua bagagem aqui no desembarque, pode ficar retido na alfândega.

[CURIOSIDADE] A BANDEIRA COM TRIPLO X: A esta altura do nosso walking tour em Amsterdam, talvez você já tenha percebido que um símbolo está presente por toda a parte, em monumentos, souvenires… Trata-se de uma bandeira vermelha e preta com três X centrais, a bandeira de Amsterdam! Muita gente pensa besteira nessa hora e associa o “XXX” à pornografia. Mas não é nada disso não, viu? Na verdade, os “X” são cruzes de Santo André, que são representadas assim mesmo, na diagonal. Há várias teorias sobre o significado das cruzes na bandeira, mas nenhuma totalmente aceita pelos historiadores. Fica a curiosidade… mas pode esquecer o papo da pornografia!

Quando acabarem as barraquinhas do Bloemenmarkt, dobre a esquerda e você logo verá a Munttoren. Esta torre alta e linda era, originalmente, parte das muralhas medievais de Amsterdam. Ela data do século quinze e atualmente tem 38 sinos que tocam a cada 15 minutos. Caminhe até ela. Bem abaixo da torre fica a Heinen Delfts Blauw, loja dedicada a típica cerâmica azul de Delft – mais conhecida como Delft Blue. As cerâmicas de Delft Blue são bastante copiadas e você verá inúmeros exemplares falsos pelas lojas de souvenir da cidade. Se quiser uma versão original como recordação da viagem, a Heinen Delfts Blauw é um bom lugar para comprar (em especial as peças pintadas à mão da marca Royal Delft – uma das mais antigas e bem-conceituadas).

Dali, atravesse a rua na frente da torre e entre na Reguliersbreestraat. Você está agora na região da Rembrandtplein, a praça Rembrandt, que fica logo ao final da rua. Esta é uma das minhas áreas preferidas da cidade, super movimentada, com lojinhas de souvenir, vida noturna agitada e boas opções de restaurantes. Meus preferidos por ali são as steakhouses Rancho, Titus e Tango Grill (todos marcados no mapa). Mas há também alternativas de culinária italiana, cervejarias e lanchonetes como McDonalds, Burguer King ou Febo.

O rio Amstel com a Munttoren ao fundo – Amsterdam: roteiro a pé pelo centro histórico – © Imagina na Viagem / Marina Heimer

Seguimos o nosso walking tour em Amsterdam. Depois de aproveitar o clima da Rembrandthuis, entre na Halvemaansteeg e siga até a ponte Halvemaansbrug, sobre o rio Amstel. O Amstel é o principal rio de Amsterdam e dos Países Baixos e, inclusive, veio dele o nome da cidade. Já a Halvemaansbrug tem um dos meus panoramas preferidos, deste walking tour em Amsterdam (e quissá de toda a Holanda, viu?). Dali, pra onde a gente olhe, tudo parece lindo. O canal largo com os barcos passando, as casinhas típicas, a Munttoren, os decks dos restaurantes sobre a água. Do lado oposto a Munttoren, você ainda verá de longe o Stopera, uma construção de fachada curva, com tijolos vermelhos e painéis de metal. Ali está a Ópera Nacional dos Países Baixos e também a prefeitura de Amsterdam. Siga caminhando pela ponte até cruzar o Amstel e, então, logo mais à frente, atravesse a curiosa ponte levadiça Aluminiumbrug. Você caminhará margeando o canal Klovenierburgwal por cerca de 350 metros até estar de frente para o nosso próximo ponto de interesse, o Bushuis – Oost-Indisch Huis.


BUSHUIS – NIEUWMARKT – CHINATOWN

O Bushuis – Oost-Indisch Huis, no número 48, é a antiga sede da Companhia Holandesa das Índias Orientais. É mais um dentre os prédios belíssimos de Amsterdam, e classificado como patrimônio nacional dos Países Baixos. Foi construído no século dezessete e hoje é usado pela Universidade de Amsterdam, como sede da faculdade de letras.

Passando do Bushuis, entre na primeira rua à esquerda, a Oude Hoostraat. Nela, você encontrará uma curiosidade de Amsterdam. Procure pela casa de número 22, um salão de chá com porta de grades vermelhas. Encontrou? Pequena, né? Pois esta é considerada a menor casa de Amsterdam. Ela tem apenas 2 metros de largura por 5 metros de profundidade e foi construída por volta de 1740. Singular, não?

Agora, dê meia volta e retorne ao canal Klovenierburgwal. Continue na mesma direção que você caminhava anteriormente. Logo você chegará na Nieuwmarkt – talvez já seja capaz de vê-la adiante), uma praça com uma construção que mais parece um castelinho. A Nieuwmarkt é uma praça agitadinha do centro de Amsterdam. São mais de 20 cafés e coffeeshops ao seu redor e, a depender do dia que você passa por ali, encontrará também feiras de alimentos orgânicos, livros e antiguidades.

E o tal castelinho no meio? Pois bem. É a De Waag. A De Waag era, originalmente, um portão de acesso à cidade, na época das muralhas medievais, lá no século quinze. Depois, já no século dezessete, foi convertida em casa de pesagem – de onde vem seu nome até hoje. Desde então, já teve diversas utilidades diferentes. Uma curiosidade: durante algum tempo, ali foi o endereço do Teatro Anatómico, onde cirurgiões realizavam dissecações públicas. Um desses eventos foi registrado por Rembrandt e tornou-se um de seus quadros mais prestigiados (“As Lições Anatômicas do Dr. Nicolaes Tulp”). Hoje em dia, a De Waag abriga um instituto de arte, ciência e tecnologia, bem como o restaurante In De Waag.

É também ali, na Nieuwmarkt que começa a região do Chinatown de Amsterdam. Repare nas placas com os nomes das ruas… elas agora são bilíngues, com a versão neerlandesa seguida por caracteres chineses. O Chinatown de Amsterdam é o bairro chinês mais antigo da Europa, estabelecido por volta de 1911. Atualmente, a influência oriental da região advém, não apenas da China, mas sim de diversos países diferentes. Ao final da praça, siga pela Zeedijk, onde você poderá ver diversos estabelecimentos comerciais e restaurantes chineses, japoneses, tailandeses, tibetanos… É também na Zeedijk que você encontrará o Templo Fo Guang Shan He Hua. O templo budista – cujo nome traduzido significa “Flor de Lótus” – é o maior em estilo tradicional chinês na Europa. Visto isso, podemos seguir com nosso walking tour em Amsterdam.


OUDE KERK – RED LIGHT DISTRICT – BEURSPLEIN

Continue caminhando e, após o Templo, dobre na segunda rua à esquerda – Korte Stormsteeg. Você vai cruzar um canal estreito e, logo mais à frente, verá um outro canal. Aqui, entramos na região mais “ativa” do chamado Distrito da Luz Vermelha.

O Red Light District (também chamado pelos locais de De Rosse Buurt) é um bairro de vida noturna bastante movimentada, com bares, restaurantes, estabelecimentos dedicados ao entretenimento adulto – incluindo aí as famosas vitrines vermelhas, onde profissionais do sexo se exibem para os pedestres. Aqui vale dizer: a prostituição é legalizada (e até regulamentada) nos Países Baixos, desde que envolva sexo consentido e entre adultos. O bairro também abriga o Museu da Prostituição e o PIC – Prostitution Information Center, dois lugares onde é possível entender melhor sobre o tema e repensar vários de nossos (pré)conceitos.

[DICA ESPERTA] O Distrito da Luz Vermelha é um bairro seguro, assim como o resto da cidade. Há câmeras de segurança espalhadas pelas ruas e embora quase não se veja policiais, o controle é bem eficiente. Ainda assim, como as ruas são estreitas e muito movimentadas, vale ter atenção aos batedores de carteiras. Outra dica importante quando passar por ali é não fotografar ou filmar as profissionais do sexo que porventura estejam nas vitrines. Ok?

Distrito da Luz Vermelha (Red Ligh District) – Amsterdam: roteiro a pé pelo centro histórico – © pixabay

Cruze o segundo canal e vire à esquerda. Você logo verá uma linda igreja de arquitetura gótica. É nosso próximo ponto de parada neste walking tour em Amsterdam: a Oude Kerk (ou Igreja Velha), o edifício mais antigo de toda a cidade. A Oude Kerk foi construída no começo do século treze, por volta do ano de 1212. E aqui vai uma curiosidade mórbida: sua construção foi feita sobre um antigo cemitério estima-se que existam cerca de 2500 túmulos e mais de 10 mil pessoas enterradas sob ela. Assustador, é verdade. Mas é difícil pensar nisso quando estamos ali, já que sua arquitetura deslumbrante consegue captar todas as atenções. A Oude Kerk ainda funciona, até os dias de hoje, como templo religioso, com missas regulares em sua agenda. Mas, para além disso, tornou-se também museu com exposições de arte contemporânea.

É também por aqui que você encontrará o coffeeshop mais badalado de Amsterdam, The Bulldog. Na verdade, há tempos que The Bulldog tornou-se uma rede. São diversos coffeeshops da marca, além de bares e até mesmo hotéis. Mas é ali, do ladinho da Oude Kerk, está o “The Bulldog The First”, o primeiro coffeeshop da rede. Muita gente gosta de passar por ali para levar uma recordação da viagem. Há de um tudo. Roupas, souvenires, acessórios… todos são sucesso entre os turistas. E claro, há produtos de cannabis também – estes proibidos na bagagem, ok? 😉

Caminhe de volta até a igreja e percorra o seu entorno. Entre na Enge Kerksteeg, a rua que começa em frente ao Prostitution Information Center e depois dobre a esquerda na Warmoesstraat. Essa é mais uma rua comercial de Amsterdam, com restaurantes, bares, smarthops e o melhor waffle – na minha opinião – da cidade. E você pode tirar a prova. Caminhe alguns metros até a lanchonete Metropolitan e pare para um café com waffle.

Logo mais à frente, está uma das lojas mais curiosas da cidade – ainda estamos no Red Light, lembre-se! – a Condomerie, uma loja especializada em… preservativos. A Condomerie existe desde 1987 e faz o maior sucesso por lá. Hoje em dia, a loja vende diversos produtos (são camisetas, canecas, etc.) mas o carro-chefe ainda são mesmo as camisinhas, que podem ser encontradas nos mais diversos modelos e viram souvenir e presentes super criativos da cidade.

Entre na Papenbrugsteeg, a rua que fica bem em frente a Condomerie, e logo você encontrará a Beursplein. A praça é o endereço da Bolsa de Valores de Amsterdam (umas das mais antigas do mundo e, atualmente, a maior de toda a Europa). Há até mesmo uma “réplica” do Charging Bull (O Touro de Wallstreet) de Nova York. Por ali você também verá a Tony’s Chocolonely Super Store, a grande loja da marca de chocolates mais tradicional da Holanda – um excelente lugar para comprar uma lembrancinha paras as crianças da família (ou para os adultos mesmo, por que não?).

Neste ponto, você já deve ver a Estação Central novamente, sinal de que nosso walking tour em Amsterdam chega ao fim. Minha última dica, a depender do horário e se ainda sobrar energia, é subir em uma das excursões de barco que se iniciam nas marinas entre a Beursplein e a Centraal Station. Vale muito a pena! Se topar, você poderá ver a cidade agora através de outro ângulo, pelos canais, além de ouvir detalhes com ajuda de áudio guias e, de quebra, descansar os pés deste nosso dia de caminhada. Parece um final com chave de ouro, não?


E aí, curtiu este walking tour em Amsterdam? Então dá uma olhada em outros posts que podem te ajudar nesta viagem:

QUEM ESCREVE

Marina Heimer

Formada em Cinema e pós-graduada em Jornalismo, já trabalhou como produtora cinematográfica, fotógrafa, redatora, assessora de imprensa...
Mas foi nas viagens - e contando sobre elas - que descobriu sua verdadeira paixão.
Desde 2014, é editora do Imagina na Viagem e consultora de turismo além, é claro, de uma viajante incansável nas horas vagas.

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8 Comentários

  1. Lilian Azevedo
    8 de setembro de 2021 em 08:36 — Responder

    Como é bom ler um post tão bem escrito. Ameiiiiii e quero voltar pois estive recentemente em Amsterdam e, apesar de ter visitado muitas de suas dicas, várias ficaram de fora. Esse manual que vc escreveu de um walking tour pelo centro histórico de Amsterdam tenho que levar e repetir o seu trajeto. Excelente!

    • 15 de setembro de 2021 em 17:36 — Responder

      Oi, Lilian! Obrigada!! Sobre ter deixado algumas coisas de fora em seu último roteiro, acho que é assim com todo mundo… apesar de pequenina, Amsterdam é uma daquelas cidades que nunca se vê por completo. O que é ótimo, porque sempre há um motivo pra voltar! Heheh…

  2. 10 de setembro de 2021 em 16:24 — Responder

    Roteiro maravilhoso, praticamente tem tudo para conhecer o centro de Amsterdã a pé.
    Eu arriscaria uma pedalada também, talvez em uma zona mais tranquila.
    Obrigada por compartilhar!
    Abs

    • 15 de setembro de 2021 em 17:41 — Responder

      Eu que agradeço pela visita, Adelaide! =)
      E aproveito pra dar um pitaco e recomendar o Vondelpark como essa “zona mais tranquila” pra sua pedalada. É lindo e super gostoso!

  3. 10 de setembro de 2021 em 18:50 — Responder

    Esse seu roteiro a pé pelo centro histórico de Amsterdam está muito completo e dá até vontade de andar por lá. Eu já fiz uma vez um free walking tour em Amsterdam, mas cada um tem uma maneira de guiar e mostrar a cidade. Com certeza farei novamente esse roteiro quando for novamente a Amsterdam.

    • 15 de setembro de 2021 em 17:45 — Responder

      Oba! A ideia era mesmo essa: um roteiro bem completo. Que bom que gostou, Olivia!

  4. 10 de setembro de 2021 em 19:57 — Responder

    Ops… caiu um cisco aqui no meu olho! Que delícia de post… que nostalgia percorrer através do seu roteiro (super completo) as ruas por onde perambulei. Eu sou apaixonada pela Holanda e tenho um carinho especial por Amsterdam, que sabe ser frenética sem perder sua majestade! Da próxima vez que tiver a oportunidade de ir até lá, levarei seu roteiro comigo! 😉😍😊

    • 15 de setembro de 2021 em 17:47 — Responder

      Ahh, esse elogio vindo de você, que já viveu por lá, me deixa super lisonjeada, Regina! Compartilhamos a mesma paixão pelo país e o mesmo carinho pela cidade – uma das minhas preferidas no mundo!

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