City Tour em Florença – conhecendo a capital renascentista.

Percorremos o Centro de Florença com Luciana Masiero – uma arquiteta e estudiosa sobre a arte italiana. Se Florença já é incrível a “olho nu”, descobrimos que a capital do renascimento consegue ficar ainda mais interessante quando observada através a ótica apurada de uma guia especializada.

Florença, berço do Renascimento – um dos movimentos artísticos de maior expressão na história mundial. Só por aí já dá para imaginar a quantidade de curiosidades, segredos e ricas passagens históricas que a cidade reserva aos seus visitantes. Agora imagine percorrer seus caminhos e cruzar seus monumentos sem ter acesso a todas essas particularidades. Seria como ver a cidade em preto e branco – e, bom, certamente ela continuaria linda, mas sem a vivacidade que faz dela um dos centros mais incríveis do mundo. Por tudo isso, quando organizamos nossa viagem, o city tour em Florença foi um dos primeiros itens indispensáveis a entrar em nossa planilha e, por sorte, escolhemos a Luciana Masiero para nos apresentar a cidade. Quer saber tudo sobre o nosso passeio e mais detalhes sobre o trabalho da Luciana? Confira nessa matéria.

 

LUCIANA MASIERO – ARQUITETA POR VOCAÇÃO, GUIA POR NATUREZA.

Acho que a melhor forma de começar a falar sobre a Luciana e seu trabalho é dizendo que, ao longo das 8 horas que permanecemos em sua companhia durante o City Tour em Florença, seus olhos não pararam de brilhar por nenhum segundo.

Luciana explica a cidade com o entusiasmo encantador de uma criança que acabou de aprender algo muito especial, com a paixão de quem resolveu deixar uma vida inteira pra trás e construir uma nova história na Itália e com a experiência e conhecimento adquiridos ao longo de anos de estudo – ela é graduada em arquitetura e especializada em patrimônio e preservação cultural, além de ser credenciada como guia oficial de turismo da Região da Toscana, tendo passado por cursos específicos de história da arte, assunto sobre o qual – diga-se de passagem – Luciana dá um banho.

Entusiasmo, paixão, experiência e conhecimento vastos. Já seria excelente, não é mesmo? Agora some a isso a descontração e simpatia deliciosas do “povo do pão de queijo”. Rs. Pois é, a Luciana é daquelas que, mesmo depois de anos vivendo na Toscana, não perde a “mineirice”. E, ao longo de 8 horas de caminhadas e muita informação, suas tiradas bem-humoradas tornam tudo mais leve e o passeio ainda mais divertido.

Atualmente, além do trabalho que realiza como guia turística, a Luciana também tem um blog – o Città del Giglio – onde divide com seus leitores um pouquinho de tudo o que aprendeu sobre a arte e cultura italianas. Vale a pena conferir e se inspirar com o trabalho dela por lá. Além disso, a Luciana também faz parte do projeto Tour na Toscana, no qual, ao lado de outras guias brasileiras residentes na região, oferece informações sobre o local e tours temáticos – culturais, gastronômicos, para apreciadores de vinhos e por aí vai.

Confira mais sobre a Luciana Masiero e seus projetos profissionais na Toscana através dos sites:

www.lucianamasiero.comwww.cittadelgiglio.comwww.tournatoscana.com

 

NOSSO CITY TOUR EM FLORENÇA

Era por volta das 10h da manhã quando começamos nosso  city tour em Florença com a Luciana. Nossa primeira parada foi na Piazza di Santa Croce, onde está localizada a basílica de mesmo nome e o Monumento a Dante Alighieri. É ali, na Basílica de Santa Croce – considerada por Ugo Foscolo, importante poeta e escritor italiano, “o templo das glorias italianas” – onde estão os restos mortais de alguns dos mais importantes personagens da história italiana e mundial como Galileu Galilei, Michelângelo, Maquiavel, e do próprio Foscolo, entre outros. Em seu interior, estão alguns afrescos pintados por Giotto, um artista que um século antes da invenção da técnica da perspectiva linear por Brunelleschi no século XV, foi um importante vanguardista na pintura com o uso de uma perspectiva intuitiva e da representação de cenas cotidianas.

A Piazza di Santa Croce tem grande importância para a vida em Florença, sendo endereço de diversos eventos ocorridos na cidade, sendo – talvez – o principal deles dedicado ao Calcio Histórico Fiorentino. Uma vez ao ano, em Junho, a Piazza é coberta de areia e lota de florentinos e turistas curiosos por ver de perto aquele que, digamos, é o esporte mais tradicional da região. O Calcio Histórico Fiorentino é um precursor do futebol e tem características similares ao rugby. De origem remota na Grécia antiga e depois com os romanos, o antigo Calcio era jogado na cidade desde o período da ocupação romana, tendo sido resgatado no período do Renascimento e jogado em vários pontos da cidade e em ocasiões especiais, mas com algumas mudanças como, por exemplo, a dimensão da bola. Uma data histórica é a de 1530 quando o Calcio Histórico Fiorentino foi jogado na Praça Santa Croce, enquanto a cidade era assediada pelas tropas imperiais. Em tempos recentes o jogo foi retomado no século XX e até hoje é adorado em toda a região.

De lá, partimos para uma pausa doce e gelada. Se você já esteve pela Itália ou pesquisou um pouquinho sobre o destino, já ouviu falar na fixação italiana pelo sorvete – ou gelato. Diz-se que Nero, imperador romano do século I d.C., foi quem ordenou que fossem transportados gelo e neve das montanhas até Roma e misturados com frutas, criando assim um dos símbolos mais fortes da gastronomia italiana. Se verdade ou não, a gente nunca vai saber… O que importa é que os italianos levam a sério esse papo de inventores (e melhores produtores) do sorvete e disputam entre si o posto de melhor entre os melhores. Sorte a nossa. São centenas de sorveterias espalhadas por Florença (e por quase todas as cidades italianas pelas quais passamos) e escolher uma delas pode ser uma tarefa complicada. A sugestão da Luciana – aprovadíssima por nós – é a sorveteria Vivoli (Via Isola delle Stinche, 7), no caminho entre a Piazza di Santa Croce e a Piazza della Signoria. Anote: o gelato di nocciola (avelã) é de comer rezando.

Era hora de conhecer a Piazza della Signoria – provavelmente o lugar com mais coisas interessantes por metro quadrado pelo qual passamos ao longo de todo o tour. É ali, na Piazza della Signoria, que está a réplica de David, a famosíssima escultura de Michelângelo (o original pode ser visitado dentro da Galeria dell’Accademia, um dos melhores museus de Florença e onde, infelizmente, não tivemos a oportunidade de ir). Mas engana-se quem pensa que David é o centro das atenções na Piazza della Signoria. A oferta de obras de arte expostas ali é grande e vale a pena percorrer a área com calma e dedicar algum tempo a cada uma das esculturas que ali estão, principalmente as que estão dispostas na Loggia dei Lanzi (entre todas delas, “Perseus com a Cabeça de Medusa” é, na minha opinião, a mais incrível!). E não preciso nem dizer que a companhia da Luciana foi de extrema valia quando começamos a dedicar nossos olhares às obras de arte, né? Além de nos contar a história por trás de cada uma delas, a Lu nos explicou detalhes estéticos e técnicos super interessantes!

Na Piazza della Signoria você também encontrará o Palazzio Vecchio, atual sede da prefeitura de Florença e onde começa o famoso Corredor Vasariano.

O Corredor Vasariano foi construído como uma passagem exclusiva para que a família Médici pudesse se deslocar pela cidade, entre o Palazzo Vecchio, onde os mesmos habitaram até a segunda metade do século XVI e o Palazzo Pitti (a nova “casa” da família Médici). Com cerca de 1km de extensão, o corredor passa por cima da Ponte Vecchio, cartão-postal de Florença e o próximo destino do nosso tour.

Você com certeza já ouviu falar na Ponte Vecchio ou, ao menos, já a conhece de vista. O mais popular cartão-postal de Florença é também um dos maiores símbolos turísticos de toda a Itália. Sobre o rio Arno, a Ponte Vecchio é uma ponte em arco “ribassato construída no século XIV e, durante alguns anos, abrigou o mercado de carnes da região. Com a construção do Corredor Vasariano, para evitar que a família Médici fosse incomodada com o odor das carnes, o mercado de carnes foi fechado, dando lugar às inúmeras joalherias que vemos hoje ali. As joalherias são, sem dúvida, uma de suas maiores peculiaridades… Mas para por aí. As comprinhas ali não são lá tão vantajosas e um ímpeto consumista pode te fazer gastar alguns bons euros.

Cruzando a Ponte Vecchio, caminhamos em direção ao Palazzo Pitti, a residência oficial do grão ducado. Como tínhamos apenas um dia para percorrer a cidade, foi preciso abrir mão de explorar a fundo cada uma de suas “atrações” e, por isso, não adentramos o Palazzo, mas a visita é recomendadíssima. Enquanto observávamos atentos os detalhes de sua fachada, na Piazza dei Pitti, a Luciana nos contou um pouco sobre a história de suas galerias, que foram habitadas pelas mais renomadas famílias de Florença, e sobre a beleza e importância de seus jardins. Numa segunda visita à cidade, o Palazzo Pitti é, certamente, um dos lugares que não vai ficar de fora do roteiro.

De volta à margem sul do Arno, partimos em direção a Piazza della Repubblica, com seus artistas de rua e seu belíssimo arco do triunfo. Ali, uma maquete bastante completa da cidade nos permite observar com maior clareza sua disposição, e nos fez relembrar os lugares por onde havíamos estado. E com um detalhe: a maquete é toda legendada em braile. É tão difícil encontrar, no mundo, cidades preocupadas em atender esse público que, quando vemos essa atenção, é preciso falar e parabenizar. Assim, quem sabe, outros destinos se inspirem a fazer o mesmo.

E se tem um lugar que não pode faltar jamais no roteiro de quem visita Florença, esse lugar – definitivamente – é a Cattedrale de Santa Maria del Fiore. O gigantesco monumento religioso é daqueles lugares que impressionam e encantam à primeira vista. O Duomo de Florença é uma das maiores igrejas da Europa e, durante sua construção – iniciada no século XIII – diversos artistas e arquitetos contribuíram ao projeto, entre eles Giotto (século XIV) e Brunelleschi (século XV). A catedral é uma verdadeira obra prima e a Luciana pacientemente nos explicou cada um de seus detalhes arquitetônicos. E se seu exterior já é um espetáculo, o interior de sua cúpula há de surpreender… Com afrescos retratando o Juízo Final e vitrais belíssimos, Santa Maria del Fiore merece ser visitada com tempo, já que uma vez ali dentro, você provavelmente perderá vários minutos admirando a arte italiana.

Por fim, era hora de visitar a Galeria degli Uffizi. Tido por especialistas como um dos melhores museus do mundo em razão de seu acervo de inestimado valor, a Galeria degli Uffizi reúne obras de alguns dos maiores artistas da história, como Da Vinci, Botticelli, Caravaggio e Michelangelo. De fato, Uffizi ganhou um lugar especial na minha memória… Junto com o Louvre e o Museu d’Orsay, em Paris, e com o British Museum, em Londres, Uffizi tem uma das coleções mais bonitas que já tive a chance de visitar. Ah, e vale dizer que essa foi a primeira vez que estivemos em um museu na companhia de um guia especializado e reafirmo: mais uma vez, fez toda a diferença. Entender as técnicas utilizadas por cada um dos artistas, os motivos expostos em sua arte, as qualidades e pontos fracos de cada um deles faz com que você compreenda melhor os movimentos artísticos e, consequentemente, a trajetória da arte mundial. Sabe aquela coisa de visitar museu com “cara de paisagem”? Nunquinha mais! Rs… Depois da belíssima aula que a Luciana nos deu sobre história da arte, tendo como objeto de estudo as obras originais dos mais renomados artistas do mundo a poucos centímetros de nossos olhos, senti como se um mundo novinho tivesse sido aberto pra mim… Ao final, já era capaz de identificar autores simplesmente em razão das características de suas obras. Coisa que nenhuma professora de ensino médio conseguiu fazer! A Galeria degli Uffizi é espetacular e seria impossível contar nesse artigo tudo de interessante que vimos por lá, mas fique de olho aqui no blog que logo logo entra no ar uma matéria exclusiva sobre o museu.

E foi assim que, após 8h de tour, fechamos com chave de ouro nosso dia com a Luciana. Uma experiência rica, marcante, inesquecível

Pronto, agora você já tem uma sugestão completinha de roteiro para conhecer a cidade. Mas, se aceita uma dica: não faça esse city tour em Florença por conta própria. A cidade é repleta de segredos e detalhes que só um profissional especializado poderá fornecer e a visita fica infinitamente mais interessante quando além de contemplativa é também uma oportunidade de reviver a história. Existem centenas de informações que – por óbvia falta de espaço, não estão nessa matéria e provavelmente não estarão nos sites onde você pesquisar. Contrate um guia de turismo… só ele poderá preencher essas lacunas e a sua companhia fará de Florença ainda mais rica. E, bom, se tiver dúvidas sobre qual guia contratar para seu city tour em Florença, recomendamos de olhos fechados – mais ouvidos sempre atentos – a Luciana Masiero. Além de ter nos recebido com muito carinho e simpatia, ficamos absolutamente bem impressionados com seu domínio sobre a história, arte e cultura locais. Foi uma verdadeira aula, mas daquelas que quando o sino toca anunciando a hora do recreio, a turma toda pede bis.

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